
Porque "Um Olhar de Estrangeiro"?
Fui à uma palestra da BBC nesta semana que passou. Em comemoração aos 70 anos desde a primeira transmissão da BBC no Brasil, a emissora realizou quatro debates em São Paulo, dos quais, infelizmente, eu só pude participar de um.
Nele estavam presente:
Asdrúbal Figueiró - Editor da BBC Brasil
Caio Túlio Costa - Diretor do IG
Garry Duff - Correspondente da BBC Brasil
Mariza Tavarez Figueira - Diretora Executiva da rede CBN
Tereza Rangel - Ombudsman do UOL
Falaram sobre coisas muito interessantes, que me renderiam um post inteiro, mas quero falar especificamente de uma fala da Mariza, que foi mais ou menos assim: É preciso ter o olhar de estrangeiro, daquele que está vendo uma coisa pela primeira vez. É preciso ter o olhar de estrangeiro para poder se indignar e perceber o que acontece ao seu redor.
E foi daí que eu tirei o nome deste blog, que dedico às minhas produções jornalísticas. Espero que, com o passar do tempo, possamos - juntos - perceber o amadurecimento dos textos.
Um grande beijo,
Amanda.
O ato de informar.
A cada minuto novas informações são divulgadas e colocadas à nossa disposição. Assim vamos, aos poucos, construindo um conhecimento em constante expansão. Porém, boa parte do que sabemos hoje é resultado não de um ato vivenciado, mas sim de uma informação mediada – na maioria das vezes por um meio midiático. Essa é a época do “eu li, eu ouvi, eu fiquei sabendo” ao invés do “eu fiz, eu vi, eu estive lá”.
O mesmo vale para as fotografias, que podem carregam consigo uma riqueza sem igual, principalmente no que se trata de captar a realidade, o instantâneo, ou, até mesmo, o passado. Mas devemos ter em mente que, nos nossos dias, a maioria dos computadores tem instalado um Photoshop ou software do gênero. Como disse Lewis Hine: embora as fotografias não possam mentir, os mentirosos podem fotografar.
Claro que num mundo capitalizado e que exige progresso atrás de progresso, seria um ato digno de julgamento pedir a alguém que comprovasse a veracidade de tudo que lhe é exposto. É nesse contexto que nascem as críticas de fonte mencionadas por Peter Burker no texto “Como confiar em fotografias”. Sabendo fazer um exame cruzado entre a realidade e o que lhe é apresentado, e sabendo de quem essa informação provém, fica mais fácil tomá-la como verdade. O que não exclui a riqueza de tê-la como experiência de vida.
Outro vetor importante a ser analisado é o de que um fato pode ser tratado de várias maneiras. Segundo Mariza Tavares, diretora da Rádio CBN, qualquer contato com a realidade é seletivo, e essa seleção pode gerar visões diversas, porque é tratada com critérios diferentes. Assim, de um mesmo fato, podem surgir três ou mais reportagens, de ângulos diferentes.
Tudo isso converge para uma questão fundamental: o papel do jornalista e das faculdades de comunicação no mundo atual. É preciso não só dar a informação para o receptor, mas também convencê-lo de que esta é confiável e verdadeira. O estudante e profissional tem que ter como princípio a busca pela experiência e pelo contato, o treino do olhar objetivo e imparcial e a familiaridade com as mudanças da sua época. Mesmo porque, no decorrer dos últimos tem crescido o que chamamos de jornalismo participativo, ou seja, cada indivíduo pode fazer a sua rede de transmissão de notícias. Logo, as técnicas de escrita passam a ocupar o segundo plano dos novos profissionais, e a prioridade é a construção de valores éticos da profissão, a fim de que possamos construir um jornalismo sério, comprometido com a transmissão de informações de qualidade para a comunidade.
3 comentários:
Primero post \o/
no novo blog
nao sou um jornalista pra avaliar seus textos, mas como sempre seus textos enriquecem a minha mente ^^
por isso nunca vo abandonalos
bjus manda
Gust
SECOND
Thirded
Postar um comentário