quarta-feira, 9 de abril de 2008

002. A TELONA É DAS ELITES


Dia 8 de julho de 1896 não era uma sexta-feira, no entanto, isso não desmotivou um grupo de pessoas do Rio de Janeiro a irem assistir à primeira sessão de cinema do país. Um ano depois, novamente no Rio, é inaugurado o “Salão Novidades de Paris”, a primeira sala de cinema regular do Brasil.

Considerando que tudo isso aconteceu a menos de dois anos desde a histórica apresentação dos filmes dos irmãos Lumière, em Paris, a sétima arte prometia ser um sucesso no país. No entanto, o seu desenvolvimento se deu de forma a transformar o cinema num privilégio para poucos, principalmente nas últimas décadas, quando o cinema saiu das ruas e foi para os shopping centers. Segundo Celso Sabadin – crítico de cinema formado em jornalismo pela Cásper Líbero – apenas 8% dos municípios brasileiros tem salas de cinema, e somente 10 milhões de brasileiros costumam freqüentá-las. Os outros 160 ou 170 milhões jamais vão a uma sala de exibição. Estes dados mostram a dificuldade que se tem para construir um mercado forte, principalmente com os preços elitistas cobrados no Brasil (que são parecidos com os de Nova Iorque).

Outro fator a ser levado em conta é que o grande público está interessado em entretenimento, pura e simplesmente, sem grandes preocupações artísticas. Apesar de ser um fenômeno mundial, isso faz com que não exista a exigência por mais qualidade. O cinema não pode se ater apenas às exigências do público, é preciso estar um passo à frente, pensar adiante. Para completar o quadro do cinema no Brasil, a grande massa da população brasileira tem "vergonha" de entrar em shoppings. “Eles se sentem constrangidos.” – conta Sabadin – “O shopping é um fenômeno urbano e elitista, que está espantando a grande massa do cinema.”
Sobre a qualidade dos filmes nacionais, Celso diz que nós alcançamos um padrão técnico admirável, mas o que mais tem chamado a atenção é a diversidade temática das nossas produções. “Atualmente, temos filmes para todos os gostos, desde o artístico/hermético de um Júlio Bressane, até o comercial. Temos filmes para os mais variados tipos de públicos, ótimos documentários, um pouco de animação, enfim, há um leque de opções bem variado e diversificado.”. Infelizmente, os lançamentos alcançam apenas uma pequena parcela da população.

Para mudar essa situação é preciso muito mais do que força de vontade. O país precisa de um investimento maciço na construção de novas salas de cinema, na divulgação dos filmes, na produção nacional, além de tornar os preços mais acessíveis. Celso cita uma frase, cujo autor é desconhecido, que diz: “Um país sem cinema é igual a uma casa sem espelho”, isso porque o cinema não é só uma forma de entretenimento, é a identidade cultural de um país. É ao se ver na tela que o povo se identifica e se transforma.

Um comentário:

Gust disse...

"O país precisa de um investimento maciço na construção de novas salas de cinema"

pode ser um comentario egoista da minha parte...mas o país precissa de um investimento maciço em varios setores...=/