quinta-feira, 17 de abril de 2008

004. A Magnum

Morte de um Miliciano - Robert Capa

“Magnum é uma comunidade de pensamentos, uma divisão de qualidades humanas, uma curiosidade sobre o que está acontecendo no mundo, um respeito pelo que está acontecendo e um desejo de transcrever isso visualmente”. (Henri Cartier-Bresson)

A MAGNUM

A Magnum é uma cooperativa de fotógrafos independentes, criada em 1947 e liderada, inicialmente, pelo fotógrafo húngaro Robert Capa (19131954), o polonês David Seymour “O Chim” (19111956), o francês Henri Cartier Bresson e o inglês George Rodger.

Essa união revolucionou não só o trabalho dos profissionais na área como também a linguagem visual da época. Instigados a desenvolver projetos pessoais, os sócios empenharam-se em dar uma dimensão humana às imagens. Dessa forma mudaram de vez o jeito de fazer fotojornalismo no mundo. A Magnum foi criada para refletir a natureza independente de seus sócios, tanto como pessoas quanto como fotógrafos – a mistura incomum do repórter e do artista que continua a definir a Magnum, enfatizando não só o que É VISTO, mas também COMO é visto. A intenção também era criar uma ‘liberdade fotográfica’ que não se limitasse apenas às formulas das revistas.

Era importante para os fotógrafos ter flexibilidade para escolher seus trabalhos e suas histórias. Nenhum deles queria sofrer as ditaduras de uma única publicação, por isso as fotos ficavam sob o direito autoral dos próprios fotógrafos, tendo ele a liberdade de vendê-la para vários veículos. Eles acreditavam que os fotógrafos, no geral, precisam ter um ponto de vista em suas mentes que transcenda qualquer fórmula de eventos contemporâneos.

ROBERT CAPA

Nascido em Budapest, em 1913 como Endre Ernő Friedmann, Capa deixou seu país em 1932, depois ter sido preso por causa de seu envolvimento político com protestantes contra o governo. Capa queria, na verdade, ser um escritor. No entanto, ele conseguiu um emprego em Berlin como fotógrafo e cresceu para amar a arte. Em 1933, ele se mudou para a França por causa do nazismo, já que ele era judeu, mas achou muito difícil conseguir trabalho como freelance. Foi nesta época que ele adotou o nome “Robert Capa”, dizendo que seria mais reconhecível e mais parecido com os nomes americanos.

É famoso, principalmente, pelas suas fotografias de guerra. A mais conhecida é a Morte de um Soldado Legalista, tirada no dia 5 de setembro de 1936, durante a Guerra Civil Espanhola. Esta foto chamou a atenção devido ao realismo com que é retratada a tragédia vivida naqueles anos.

Além da Guerra Civil Espanhola, Capa também cobriu a Segunda Guerra Mundial, a Segunda Guerra Sino-Japonesa, a Guerra Israelo-Arábe, entre outras. Em todas elas, fez um retrato talentoso, realista e sensível dos acontecimentos.

Morreu ‘em combate’, ao pisar numa mina, mostrando que sempre levou a sério sua frase: "Se as fotografias não são suficientemente boas, é porque não se está suficientemente perto".

HENRI CARTIER-BRESSON

Cartier sempre fora apaixonado com a pintura, especialmente a Surrealista. Em 1932 ele descobriu a Leica e começou uma vida longa e apaixonada pela fotografia. Em 1933 ele teve a sua primeira exposição no Julien Levy Gallery, em Nova Iorque.

Em 1940, foi feito prisioneiro de guerra, e, depois de três tentativas, conseguiu escapar. Em 1945 ele fotografou a liberação de Paris junto a um grupo de jornalistas profissionais. Posteriormente, ele filmou o documentário Le Retour (O Retorno). Após viajar por três anos pelo Oriente, ele retornou à Europa, onde lançou o seu primeiro livro: Images à la Sauvette (em inglês: The Decisive Moment).

Ele explicou a sua abordagem fotográfica nestes termos: para mim, a câmera é um livro de rascunhos, um instrumento de intuição e espontaneidade, o instante máximo no qual, em termos visuais, questiona e decide simultaneamente. É por meios econômicos que alguém chega à uma simplicidade de expressão.

Em 1968, ele começou a se concentrar no desenho e na pintura. Em 1993, com sua esposa e sua filha, ele cria a Fundaçao Henri Cartier-Bresson, em Paris, para preservar o seu trabalho. Cartier recebeu vários prêmios durante sua carreira e morreu em sua casa, algumas semanas antes de completar 96 anos.

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